Terapia Manual 11 - outubro - 2012 Sem categoria5 comentários

Meralgia Paraesthetica é uma condição neurológica conhecida onde o nervo Cutâneo Lateral da Coxa é comprido ou lesado, assumidamente em sua saída pela abertura pélvica superior junta  a Espinha Íliaca Antero-Superior.  Há muita discussão sobre os fatores causativos e o diagnóstico desta condição. Fatores causativos descritos na literatura foram uso de cinto apertado, aumento abdominal significante ou abrupto, compressão por flexão contínua do quadril ou pós-cirúrgico. Veja o estudo recente abaixo que avaliou 140 casos:

 

Rev Neurol. 2009 Oct 16-31;49(8):405-8. Martínez-Salio AMoreno-Ramos TDíaz-Sánchez MPorta-Etessam JGonzález de la Aleja JGutiérrez-Gutiérrez GCalandre-Hoenigsfeld L.

 

INTRODUÇÃO:

Meralgia paraesthetica  é uma patologia que é considerada em visitas a serviços ambulatoriais. Não obstante, o diagnóstico, o tratamento e o prognóstico desta condição permanecem um tanto obscuros. 

PACIENTES E MÉTODOS:

Um estudo retrospectivo foi conduzido que envolveu 140 pacientes. Os dados foram coletados a respeito dos aspectos demográficos, da apresentação clínica, do estudo diagnóstico, da etiologia, do tratamento e da progressão. 

RESULTADOS:

Houve uma predominância de homens com uma idade média de 54 anos. O tempo médio de follow-up foi de 25 meses. Os sintomas que foram relatados: diminuição da sensibilidade, dor ardente, pinicante no território do nervo. Hipoestesia foi o sinal mais freqüente encontrado no exame. A história de uma outra neuropatia compressiva existiu em 13.6% dos pacientes.  A causa mais comum foi espontânea e somente três casos foram encontrados ser secundários a uma lesão estrutural. Um terço dos pacientes recebia o tratamento farmacológico. Embora a apresentação clínica fosse benigna, na maioria dos casos tendeu a tornar-se crônica. Os pacientes tratados farmacologicamente não mostraram uma melhoria significativa em comparação com aquelas que não foram dadas o tratamento. Os dados mais importantes para a melhoria da apresentação clínica foram a identificação e a correção dos fatores que precipitam a compressão do nervo. 

CONCLUSÕES:

A Meralgia Paraesthetica   é uma patologia benigna mas com uma tendência a  tornar-se crônica que responde mal ao tratamento farmacológico. É importante identificar e corrigir fatores mecânicos e somente em uns casos excepcionais ela é secundário a uma lesão estrutural.

 

Em uma revisão recente da Cochrane o que se encontrou foi:

 

Cochrane Database Syst Rev. 2008 Jul 16;(3):CD004159. Treatment for  Meralgia Paraesthetica. Khalil NNicotra ARakowicz W.

 

BACKGROUND:

A Meralgia paraesthetica  é uma síndrome clínica para que um número de tratamentos estão sendo utilizados, incluindo medidas conservadoras, injeção de corticosteroide com anestésico local e cirurgia. Nós apontamos examinar a evidência para a eficácia relativa destas intervenções.

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ESTRATÉGIA DE BUSCA:

Nós procuraramos no Cochrane Neuromuscular Disease Group Trials Register (Abril 2008), MEDLINE (1 de janeiro de 1966 a 18 de abril de 2008), EMBASE (1 de janeiro de 1980 a 12 de maio de 2008) e CINAHL (1 de janeiro de 1980 a 12 de maio de 2008) por estudos controlados randomisados. Os estudos não-aleatorizados foram identificados procurarando no MEDLINE (1 de janeiro de 1966 a 18 de abril de 2008) e EMBASE (1 de janeiro de 1980 a 12 de maio de 2008).

CRITÉRIOS DE SELEÇÃO:

Nós fomos incapazes de identificar experimentações controladas randomizadas ou quase- randomisadas. Nós procuramos conseqüentemente os estudos observacionais de alta qualidade que encontram os seguintes critérios: (1) ao menos cinco casos com follow-up. (2) ao menos de três meses após a intervenção (eventualmente). (3) Ao menos 80% dos casos foram avaliados a longo prazo.

 

RESULTADOS PRINCIPAIS:

A cura ou a melhoria foram descritas em estudos observacionais da alta qualidade: (1) um único estudo descreve a melhoria espontânea em 20 (69%) de 29 cases.(2) quatro estudos que avaliam a injeção do corticosteroide e anestésico local encontraram melhoria em 130 (83%) de um total combinado de 157 casos. (3) Os tratamentos cirúrgicos foram encontrados para ser benéficos em 264 (88%) de  300 casos tratados com a descompressão (nove estudos); e 45 (94%) de 48 casos tratados com a  neurectomia (três estudos). (4) 99 (97%) de 102 pacientes com a Meralgia paraesthetica   iatrogênica se recuperaram completamente (três estudos).

 

CONCLUSÕES DOS AUTORES:

Na ausência de experimentações controladas ou quase-aleatorizadas publicadas, a base da evidência objetiva para escolhas do tratamento na Meralgia paraesthetica   é fraca. Os estudos observacionais de alta qualidade relataram melhora por injeção local de corticosteroide e de intervenções cirúrgicas (descompressão ou neurectomia do nervo), entretanto resultados similares foram relatado sem nenhuma intervenção.

 

Em nossa busca não foram encontrados estudos específicos que avaliaram o tratamento fisioterapêutico em relação a esta condição (ex: mobilizações neurais, recursos descompressivos locais, exercícios, ergonomia e AVD’s).

Em essência a literatura é escassa em relação ao assunto mas considerando também as incapacidades e dúvidas em relação ao tratamento cirúrgico ou medicamentoso é sugerível que o fisioterapeuta tenha uma papel importante na avaliação e tratamento desta condição.

 

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5 Comentários

Larissa Montoya

23 de março de 2013

Acreditava que isso se devia a compressão do n. cut lat na pelve por ser mais larga em mulheres mas curiosamente o texto diz que foi encontrado ser mais frequente em homens…..Talvez pela ativ fisica? De qualquer maneira tive poucos pac q vieram c este diagnostico e nao fizemos quase nada entao seria legal saber mais!!!

Ricardo Silvino

27 de março de 2013

Larissa vale lembrar q isso eh apenas um estudo…. Acho que tem que tomar cuidado em achar que eh sempre assim….teria que avaliar outros estudos….eu recebi 2 pessoas com este diagnostico e embos eram mulheres….Mas teria que avaliar melhor! Quanto ao tratamento eu concordo com o texto ja que nao parece ter nada mto definido para isso hoje…..Abraco

Rolander Jaide

29 de março de 2013

To com uma paciente com dor na coxa do lado de fora e nao tem diagnostico definido…fico pensando se nao eh isso? Alguem sabe o que fazer na fisio? Abracos

Sergio Marinzeck

31 de março de 2013

Dá para ver que não sabemos muito disso não é colegas! Historicamente esta condição foi a primeira neuropatia compressiva descrita na literatura ainda que a “Síndrome do Tunel do Carpo” tenha recebido muito mais atenção, até devido a sua importância clínica.

Minha contribuição é a seguinte:

- Como toda neuropatia compressiva periférica, sinais neurológicos periféricos são evidenciados (e os centrais não devem estar presentes). Neste caso com o n. cutâneo lat. da coxa é apenas sensitivo, alteração da sensibilidade em sua área de inervação é um sinal comum.

- Como td neuropatia periferica, sinais de red flags devem ser examinados.

- Redução da compressão da linea inguinal deve ser feita. Evitar usar cintos (calças leves c elásticos é melhor), peso na cintura (carregar ferramentas, armas etc), mochilas c apoio na cintura, hiperflexão do quadril, edema na pelve…. Gravidez e ascites podem ser um fator….

- Mobilização neural para o n. cut lat da coxa, para meus pacientes , nao pareceu ter bom efeito. A descompressão parece ser mais significante….

- Avaliar o quadril e lombar é importante para estabelecer a relação de contribuição para os sintomas.

- Confortar o paciente: eh uma condição não progressiva e pouco limitante (se nao houver red flags).

Abraço

Sergio Marinzeck

Igor de Souza

23 de maio de 2013

Nunca tive um paciente com tal condição, mas bom ler sobre isso para lembrar dela.
Rolander, primeiramente seria interessante colher uma boa história e excluir outras coisas. Apontando para meralgia é importante ligar essa dor a alguma compressão e como disse Sergio, atentar as red flags, para excluir o motivo dessa compressao de qualquer problema maior.

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